O centenário de Joe Louis

Em um barraco num campo de algodão perto de Lafayette, no Alabama, onde dividia a cama com seus dois irmãos, nasceu Joseph Louis Barrow, em 13 de maio de 1914. Filho de um meeiro – que morreu de problemas mentais quando ele tinha dois anos de idade – e bisneto de escravos, Louis foi morar em Detroit em 1920, quando sua mãe se casou pela segunda vez.


No início da adolescência, Louis aprendia marcenaria numa escola profissional e tinha aulas de violino, quando foi levado por uma amigo para uma academia de boxe. Com o nome de Joe Louis, na tentativa de esconder da mãe a opção esportiva, iniciou a carreira amadora e venceu 50 de 54 lutas. Logo ganhou a atenção de John Roxborough, rei do jogo em bairros afro-americanos de Detroit. Em 1934, Roxborough e Julian Preto, dono de um bar clandestino, convenceram Louis a se tornar profissional.


Para moldar a imagem do lutador e fugir do preconceito, afinal poucos eram os lutadores negros naquela época, Roxborough passou a seu pupilo alguns mandamentos: nunca ser fotografado com uma mulher branca, nunca tripudiar sobre um adversário (branco) caído, nunca se envolver em brigas nas ruas, viver e lutar limpo.


Louis ganhou suas primeiras 27 lutas , 23 por nocaute, com destaque para o impressionante nocaute no sexto round sobre Primo Carnera e outro no quarto assalto diante de Max Baer, ambos ex-campeões.


Sua série invicta acabou em 19 de junho de 1936, quando Schmeling descobriu uma falha em Louis, a esquerda baixa, e terminou o duelo no 12º assalto.


Seu caminho para o título tinha apenas ficado mais longo. Em 22 de junho de 1937, ele se tornou o primeiro campeão afro-americano desde Jack Johnson, ao destronar James Braddock no oitavo round. “Todo garoto negro com idade para andar queria ser o próximo Bomba Marron”, disse Malcolm X , líder dos militantes muçulmanos negros, referindo-se ao apelido de Joe Louis.


Em 1938, Louis exigiu sua vingança sobre Schmeling . A luta valeu mais do que um título mundial dos pesos pesados. Foi uma batalha de duas ideologias. Em um canto estava Schmeling, representando Hitler (embora o lutador alemão não fosse nazista) e o fascismo. No outro córner era Louis, representando os EUA e a democracia. Louis foi convidado para ir à Casa Branca, onde foi recebido pelo presidente Franklin Roosevelt. “Joe, precisamos de músculos como os seus para vencer a Alemanha.”


Hitler enviou mensagens a Schmeling alertando seu boxeador de que ele seria responsável pela maior vitória e glória do Terceiro Reich. Hitler o saudava como um modelo de masculinidade e telefonou para Schmeling pessoalmente antes de deixar o camarim em direção ao ringue. Diante de 70 mil espectadores, no Yankee Stadium, Louis pulverizou Schmeling, derrubando-o três vezes em 124 segundos.


Numa época em que os negros estavam sujeitos a linchamentos nas ruas dos Estados Unidos, discriminação, opressão e proibição de jogar na Major League Baseball, Joe Louis foi o primeiro afro-americano a ser adorado como um herói. Quando Louis começou no boxe, não existiam negros em destaque na sociedade americana, nenhum chamava a atenção dos brancos.


“O que meu pai fez foi permitir que a América branca pensasse nele como um americano, não como um negro”, disse seu filho, Joe Louis Jr.”. “Ao ser campeão, ele se tornou o primeiro herói negro da América branca”.
Louis foi campeão mundial em uma época em que o campeão dos pesos pesados era o maior homem do mundo. Jack Johnson, o primeiro campeão peso-pesado afro-americano, não era popular com os brancos. Louis, por outro lado, com seu jeito introvertido, ganhou a torcida de todo o país, principalmente após a vitória sobre Schmeling. Em um período da 2ª Guerra Mundial, Louis se tornou ainda mais querido, quando disse que os EUA iriam ganhar a guerra porque estavam do lado de Deus. Mas Louis não tinha personalidade para ser político. Seu senso incomum de dignidade, exemplificado pela sua recusa em ser fotografado com uma fatia de melancia, aumentava cada vez mais sua popularidade.


Em 18 de abril de 1941, diante de Billy Conn, um ex-campeão dos meio-pesados, Louis esteve perto de perder o título. Em desvantagem nas papeletas de dois dos três jurados, Louis precisou de sua força para derrubar Conn a dois segundos do fim do 13º round.


Em 1942 se alistou no exército e fez cerca de 100 exibições diante de dois milhões de militares. Após a guerra, ele nocauteou Conn novamente e ganhou outras três lutas, incluindo dois triunfos frente a Jersey Joe Walcott , antes de abdicar do seu título e se aposentar.


No entanto, ele precisava de dinheiro para pagar os impostos. Voltou para perder para o campeão Ezzard Charles , em 1950, e se aposentou, ao ser nocauteado por Rocky Marciano, no oitavo round, em 1951.


O boxe lhe rendeu cerca de US$ 5 milhões, mas o dinheiro foi a nocaute mais rapidamente do que seus adversários, por causa de extravagâncias e generosidade. O imposto americano esqueceu de sua ajuda durante a guerra e exigiu US$ 1,2 milhão. Em crise, passou a abusar da cocaína. Por caridade, virou uma atração do Caesar’s Palace Hotel, em Las Vegas.


Louis passou seus últimos quatro anos em uma cadeira de rodas antes de morrer de um ataque cardíaco, em 12 de abril de 1981, aos 66 anos, poucas horas depois de assitir à vitória de Larry Holmes sobre Trevor Berbick, no ringue do Caesar’s Palace.


Durante o velório, sua quarta esposa, Martha, recebeu um envelope com uma boa quantia em dinheiro, enviado por Schmeling. Os dois haviam se tornado grandes amigos.


Joe Louis foi enterrado no Cemitério Nacional de Arlington , a pedido do presidente Ronald Reagan.

 


BOXE NA ALTA RODA
A última moda entre executivos britânicos está em acertar as contas no ringue.

“Esqueça golfe, o boxe voltou!”
Com este slogan, a empresa britânica The Real Fight Club vende seus serviços, cuja principal atividade é a de organizar noites de boxe entre os altos executivos de grandes empresas, novos ricos, profissionais liberais de reputação, políticos e outros da fauna humana da alta sociedade londrinense.
Nestes combates se luta e se aposta com dinheiro, tal como os profissionais, mesmo que uma parte importante das apostas vai para os cofres de qualquer associação para fins de caridade. E agora, quase 1 milhão de libras (cerca de 1,4 mil milhões de euros) foram capazes de ganhar os poderosos socos da alta sociedade Londrinense em mais de 30 combates que tem sido realizadas desde o início da moda “boxer's cool”, no início deste século.
Em geral, esses eventos são realizados em hotéis cinco estrelas, e as pessoas que vêm para pagar um preço elevado para cada jantar é servido durante a noite. O jantar é a desculpa, porque o prato forte é o que acontece sobre a lona.

NOVA YORK, ANOS 90
Na verdade, tudo começou com os executivos de Wal Stret, que começaram a deixar as tensões em intensas sessões de boxe nas academias das imediações. Sem embargo, o grande dinamismo desta atividade foi abrigado a partir do Real Fight Clube Londrinense, que tem conseguido exportar a idéia para outras partes do universo anglo-saxônico, da Austrália para Hong Kong a antiga colônia britânica agora integrada na China.
A transcendência desses combates atingiu o seu pico de popularidade em junho do ano passado, quando os príncipes da Inglaterra, William e Harry, entraram para incentivar a participação do financista Hugh van Cutsem, um amigo de comum ambos. Parece que lhe trouxe sorte, porque Hugh conseguiu vencer a sua luta.
A fotografia dos príncipes na primeira fila torcendo por Van Custe deu a volta ao mundo.

Mais de 500 pessoas, entre banqueiros e homens de negócios, reuniram-se em novembro passado em um hotel de cinco estrelas em Hong Kong para assistir a uma noite entre os executivos.
Todo o dinheiro que foi levantado foi para a Associação Operação Smile, que trabalha para aliviar doenças infantis em crianças e jovens pobres de todo o mundo.

Fonte: David Losa, Revista DT espanhola.

 

Júlio Cesar Chavez

O magnífico mexicano dominou o boxe mundial por mais de uma década, conquistando o primeiro de seus três títulos em 1984.
Mesmo Mike Tyson, a quem até os fãs mais casuais consideram o melhor lutador da era, se referiu a Júlio Cesar Chavez como o mestre. Várias publicações renomadas a respeito do boxe não deixam de fora seu nome como um dos melhores de todos os tempos.

Ele foi imbatível em suas primeiras 91 lutas, ganhando o titulo de peso super pena em 1984, dos pesos leve em 1988, do peso meio médio ligeiro no ano seguinte e empatando na disputa do cinturão do peso médio em 1993. Era um perfeccionista friamente metódico que raramente desperdiçava um soco. Seus ganchos de esquerda no corpo do adversário provocavam gemidos de compaixão até daqueles que estavam acostumados à violência do esporte. Sabia como ninguém conciliar técnica e agressividade. Júlio Cesar Chavez levou 135 mil pessoas, o maior publico da história do boxe, para vê-lo defender o titulo de meio médio ligeiro contra Greg Haugen, na cidade do México, em 1993. Protagonizou uma final dramática quando, perdendo por pontos e faltando apenas dois segundos para o fim do combate, conseguiu derrubar Meldrick Taylor em Las Vegas, em 1990. Mais tarde, respondeu aos protestos furiosos vindos do canto de Taylor com uma frase seca que expressou perfeitamente a visão calculada e sem emoção que tinha do esporte. Ele disse – “Lutas são ganhas no ringue, não na discussão”.

Max Schmeling

O peso-pesado alemão Max Schmeling nunca imaginou que derrotaria o invicto campeão americano - negro - Joe Louis, em 1936, e nunca pretendeu levar sua vitória para além do ringue.
Adolfo Hiter, porém, viu nele uma ferramenta de propaganda. Contra suas convicções, Schmeling se viu transformado em "prova" da superioridade ariana. Ele rejeitou os títulos que o Reich quis lhe impor e se recusou a deixar sua mulher, de origem checa, e a demitir seu empresário judeu.

Só ganhou a batalha, entretanto, ao ser nocauteado por Louis em 124 segundos na revanche de 1938, diante de 70 000 espectadores reunidos em Nova York. Os dois boxeadores se tornaram amigos pelo resto da vida. Quando a de Louis terminou, na pobreza, em 1981, foi Schmeling quem deu a ele um enterro de campeão.
(Fonte: Veja, 28-12-05)

Boxe, o esporte mais exigente

Em estudo realizado pela TV por assinatura ESPN Internacional, o Boxe foi considerado o mais difícil em 60 esportes classificados, com o tema “Grau de Dificuldade: Classificação de esportes.”

Segundo a emissora, a pesquisa foi realizada com informações científicas vindas do Comitê Olímpico dos Estados Unidos, acadêmicos que estudam a ciência dos movimentos e dos músculos, de atletas de todos os esportes envolvidos e de jornalistas especializados em análise de êxitos e fracassos de esportistas. Dez categorias que tiveram notas que variaram de 1 a 10 foram analisadas: rendimento, força, potencia, flexibilidade, agilidade, velocidade, capacidade de controlar os nervos em situação adversa, resistência, coordenação visão-motora e atitude analítica.

O boxe foi o único esporte que alcançou nota acima de 8 em mais de cinco categorias. Os dez esportes mais bem classificados entre os 60 analisados foram os seguintes:

Boxe: 72.37
Hóquei sobre gelo: 71.75
Futebol Americano: 68.37
Basquete: 67.87
Luta Olímpica: 63.50
Artes Marciais: 63.37
Tênis: 62.75
Ginástica: 62.50
Beisebol: 62.25
Futebol: 61.50

2004/06/19
Fonte: Confederação Brasileira de Boxe (www.cbboxe.com.br).

Uma disputa pelo título mundial dos pesos-pesados representa
um dos esforços mais extraordinários que se conhece.
Durante doze ou quinze assaltos de 3 minutos, cada lutador
recebe algo como duzentos socos, todos desferidos por um
adversário extremamente forte. Para conseguir enfrentar a
batalha, o pugilista precisa submeter-se a rigoroso treinamento.

Um dos exercícios mais importantes é a corrida de estrada: o
boxeador corre 5 ou 6 quilômetros por dia, cinco dias por semana,
calçando botas pesadas e, se necessário, vestindo um cinto com
pesos. Exercícios com pesos são rotina, além de lutas com
sparrings de diferentes estilos e pesos.

Os pugilistas em geral precisam perder peso, para enquadrar-se
nos limites de peso de sua categoria, mas não podem perdê-los
nos músculos, e sim na gordura. Enquanto o conteúdo médio de
gordura nas pessoas é de 15%, nos boxeadores é de apenas 7.

Mike Tyson é o lutador mais jovem que já alcançou o
título mundial dos pesos-pesados. Embora não seja muito
alto, ele compensa a desvantagem com 97,5 kg de peso,
43 cm de bíceps e um diâmetro de 117 cm no tórax.

O norte-americano Myke Tyson é um dos maiores fenômenos do boxe mundial: venceu sua primeira luta profissional por nocaute no primeiro assalto, e suas dez primeiras lutas tiveram um total de apenas dezesseis assaltos, tornando-se campeão mundial em 1987, dois anos depois de ter se profissionalizado.
Perdeu o título em 1990 para o também norte-americano James "Buster" Douglas, mas prometeu voltar.

Para alcançar tamanha eficiência, Tyson teve que treinar muito; porém, no ringue, ele não depende apenas de si mesmo: em seu canto ficam pessoas que o ajudam entre os assaltos. Cada oponente pode contar com quatro auxiliares, que são, geralmente, o empresário, o treinador, um especialista em cortes e um assistente. Nos muitos bolsos de sua jaqueta, o especialista em cortes traz algodão, atadures, cotonetes e alguns medicamentos. Um deles é o cloreto de adrenalina, empregado para estancar sangramentos. Esse é todo o tratamento recebido durante a luta, além de massagens e aplicação de água com esponjas. O treinador orienta o boxeador quanto a táticas de luta. Contudo, a principal função dos auxiliares é levantar a moral do lutador, para que ele continue, apesar dos golpes, com vontade de vencer.

Ramon, uma luta
Pra quem não viu, e não conheceu Ramon, bravo lutador argentino que passou uma longa temporada em Curitiba orientando aulas na academia Animal Boxe!

Agora no Youtube!

http://www.youtube.com/watch?v=8rKTL5qxUzU

 

Última luta de Osmar Animal - África do Sul
Anthony Van Niekerk vs. Osmar "Animal" Teixeira
http://www.youtube.com/watch?v=qdqxBbLwg9o

Matéria no Globo Esporte sobre o lutador Osmar Animal
http://www.youtube.com/watch?v=xm8QziO78dw



Julio Cesar Chavez


Joe Louis e Max Schmeling


Osmar "Animal" Teixeira em ação


Osmar "Animal" e o lutador Ubequistão Ruslan Chagaev, o novo campeão dos pesos-pesados da AMB (Associação Mundial de Boxe)


Osmar "Animal" e Osvaldo Rivero, empresário de boxe argentino.


REFLEXÕES DO "REI DO MUNDO" | Muhammad Ali

Eu sempre acreditei em mim, até  mesmo como uma criança crescendo em Louisville, Kentucky. Meus pais incutiram um sentimento de orgulho e confiança em mim, e ensinaram a mim e ao meu irmão que poderíamos ser o melhor em qualquer coisa. Devo ter acreditado neles, porque me lembro de ter sido o campeão do meu bairro e desafiando meus amigos da vizinhança para ver quem conseguia saltar o mais alto muro ou ganhar uma corrida a pé até o final da quadra. Claro que eu sabia que quando eu fiz o desafio que eu iria ganhar. Eu nunca nem pensei em perder.  

No colegial, eu pensava semanalmente - se não diáriamente - que um dia eu ia ser o campeão mundial dos pesos pesados. Como parte do meu treinamento de boxe, eu iria atropelar Fourth Street, no centro de Louisville, entrando e saindo de lojas locais, tendo apenas o tempo suficiente para dizer-lhes que eu estava treinando para as Olimpíadas e eu estava indo para ganhar uma medalha de ouro. E quando eu voltei para casa, eu disse que viraria profissional e me tornaria o campeão mundial de pesos pesados no boxe. Eu nunca pensei sobre a possibilidade de falhar - só pensava na fama e glória que eu conquistaria quando ganhasse. Eu podia me ver lá. Eu quase podia sentir isso. Quando eu proclamei que era o maior de todos os tempos , eu acreditava em mim. E eu ainda faço isso.  

Ao longo de toda a minha carreira de boxe, minha crença na minha capacidade triunfou sobre a habilidade de um adversário. Minha vontade era mais forte que as suas competências. O que eu não sabia era que minha vontade seria testada ainda mais quando eu me aposentei.  

Em 1984, eu fui diagnosticado com Parkinson. Desde então, os meus sintomas aumentaram, e minha capacidade de falar em tom audível diminuiu. Se havia algo que pudesse atacar a minha confiança em mim mesmo, seria esta doença. Mas a minha confiança e vontade de continuar a viver a vida como eu escolhesse não seria comprometida.  

No início de 1996, pediram-me para acender o caldeirão no Jogos Olímpicos de Verão, em Atlanta. Claro que a minha resposta imediata foi sim. Eu nunca pensei em ter Parkinson ou quais desafios físicos que isso iria representar para mim.  

Quando chegou o momento de eu sair de um andaime alto e levar a tocha de Janet Evans, eu percebi que tinha os olhos do mundo sobre mim. Percebi também que, como eu segurava a tocha olímpica sob minha cabeça, meus tremores tinham retornado. Nesse exato momento, ouvi um barulho no estádio, que se tornou um barulho contínuoo e depois se transformou em um aplauso ensurdecedor. Lembrei-me da minha experiência Olímpicos 1960, em Roma, quando eu ganhei a medalha de ouro. Esses 36 anos entre Roma e Atlanta passaram diante de mim, e eu percebi que tinha um círculo completo.  

Nada na vida me derrotou. Eu ainda sou "o Maior ".Isso eu acredito.

 

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